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Por Fernando Lucena Pires, advogado e consultor jurídico

Na última semana, os ânimos da economia brasileira foram inflamados pela notícia da negociação intermediada pelos chefes de estado de duas potências econômicas mundiais: Estados Unidos e União Europeia. O acordo firmado caminha para um ambiente comercial com “tarifa zero” entre as nações, estreitando as relações comerciais entre os países, a fim de minimizar os riscos comerciais.

Com a negociação, a União Europeia assumiria o compromisso de comprar mais soja dos americanos, produto agrícola em que há competitividade direta com o mercado brasileiro no quesito exportações. Em contrapartida, o presidente americano, Donald Trump, assumiria o compromisso de trabalhar as tarifas propostas sobre os automóveis, o alumínio e o aço europeus.

Além da soja, EUA e Brasil exportam um mix de produtos muito semelhantes, com destaque para carne, açúcar e suco de laranja. Embora a soja brasileira esteja mais cara do que a americana, especialistas dizem que a tendência é de que não haja um reflexo imediato sobre o seu comércio no Brasil. Entretanto, a longo prazo, o movimento poderá tornar o Brasil ainda mais dependente das importações chinesas do grão, com quem comercializa cerca de 80% da produção atual.

Embora a União Europeia seja o segundo principal destino da soja em grão brasileira, essa relação comercial não representa 10% da fatia das exportações do produto. Portanto, mesmo com a notícia da assinatura do acordo, não deverá haver uma mudança muito significativa de volume em relação aos europeus.

Contudo, um possível impacto do acerto firmado entre os líderes envolve o acordo de livre comércio entre Mercosul (Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina) e União Europeia, que já se arrasta há praticamente duas décadas, e poderá perder fôlego na busca de um desfecho positivo: o objetivo é conseguir uma maior abertura do mercado europeu para os seus produtos agrícolas, no intento de fomentar o aumento de volume de negociações envolvendo o eixo.

Por um lado, na visão dos especialistas, a trégua estabelecida entre EUA e União Europeia oferece espaço para que a economia global continue a crescer; por outro, poderá tornar-se uma ameaça ao agronegócio do Brasil, especialmente às tratativas do Mercosul, em tempos não muito distantes.

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